de uma alma onde você pudesse derramar, sem vazar.
Um manto impermeável.
O corpo quis reagir, as pernas ameaçaram vacilar, as palavras colocaram-se em fuga;
um leão prestes a falhar numa investida, cobras traiçoeiras que criei em cativeiro.
Dominei-me!, como aprendi a fazer diante do perigo,
mostrando que entre 'mim' e 'eu' existe um guia misterioso, um senhor que dá as cartas!
Recompus-me em menos de um segundo.
Por vezes o silêncio denunciava nossos pensamentos.
Sabíamos demasiadas coisas um do outro (e sabemos!).
Calamo-nos e entendemo-nos por olhares. E seu olhar penetrava. Tua escada!
Nela eu já não podia orquestrar as nuances dos meus frios movimentos, a sua poderosa presença havia-me roubado as forças. Vi nos seus olhos a chama sombria de uma fogueira viva,
dançando feito cobra em transe. Iluminava com luz e sombra os OUSADOS traços de mulher no seu rosto de gata. No seu quarto, seu corpo possuído pelo desejo bailava sobre o meu em segredo;
a gata havia mostrado as garras mas fora arranhada pelo tigre.
O timbre da tua voz denunciava o pecado.
Dois seres alternando entre a calmaria e a violência dos impulsos mais primitivos.
Via corpos, faca e ferida! Um momento onde nosso amor e nosso desejo zombavam com uma maliciosa gargalhada do impotente instrumento da razão. Somente a Lua e o Sino eram testemunhas.
O mundo deixou de existir lá fora. Entre todo aquele silêncio, aquela escuridão,
e todo aquele segredo, uma força poderosa existia ali .
Um abalo sísmico. Uma monstruosidade de forças e um tremor de terras de insaciável desejo e amor.
Um amor que me consumiu na fogueira viva.
_
Nenhum comentário:
Postar um comentário