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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Por Paulo R. Falcão

Lá estava você, estática, à espera de um príncipe do inferno,
de uma alma onde você pudesse derramar, sem vazar. 

Um manto impermeável.
O corpo quis reagir, as pernas ameaçaram vacilar, as palavras colocaram-se em fuga;
um leão prestes a falhar numa investida, cobras traiçoeiras que criei em cativeiro.
Dominei-me!, como aprendi a fazer diante do perigo,
mostrando que entre 'mim' e 'eu' existe um gu
ia misterioso, um senhor que dá as cartas!
Recompus-me em menos de um segundo. 

Por vezes o silêncio denunciava nossos pensamentos. 
Sabíamos demasiadas coisas um do outro (e sabemos!). 
Calamo-nos e entendemo-nos por olhares. E seu olhar penetrava. Tua escada! 
Nela eu já não podia orquestrar as nuances dos meus frios movimentos, a sua poderosa presença havia-me roubado as forças. Vi nos seus olhos a chama sombria de uma fogueira viva, 
dançando feito cobra em transe. Iluminava com luz e sombra os OUSADOS traços de mulher no seu rosto de gata. No seu quarto, seu corpo possuído pelo desejo bailava sobre o meu em segredo; 
a gata havia mostrado as garras mas fora arranhada pelo tigre. 
O timbre da tua voz denunciava o pecado. 
Dois seres alternando entre a calmaria e a violência dos impulsos mais primitivos. 
Via corpos, faca e ferida! Um momento onde nosso amor e nosso desejo zombavam com uma maliciosa gargalhada do impotente instrumento da razão. Somente a Lua e o Sino eram testemunhas. 
O mundo deixou de existir lá fora. Entre todo aquele silêncio, aquela escuridão, 
e todo aquele segredo, uma força poderosa existia ali . 
Um abalo sísmico. Uma monstruosidade de forças e um tremor de terras de insaciável desejo e amor.

 Um amor que me consumiu na fogueira viva.

                                                                    _Paulo R. Falcão

quinta-feira, 21 de março de 2013

Beijos e chocolate

Todos os dias cheiravam poeira
Mas através das grades,
ela podia observar a graça gratuita do céu.
E longe dos muros da morte
Sonharia com beijos e chocolate,
ou beijos de chocolate.

Sonharia sim!!
Porque sentia que o peso brutal das horas
não lhe roubariam mais.
O perfume e a alma.
A luz e as cores.
Os beijos e chocolate,
ou beijos de chocolate.



                                                               Fabiola Fantine