Olhando da janela, as estrelas parecem se esconder.
Talvez elas tenham um bom motivo.
Acho que todos nós temos.
E se esconder talvez seja a parte fácil,
difícil mesmo é se encontrar.
Ter a coragem de se encontrar, ficar cara a cara.
Há tanto tempo eu ando me escondendo,
guardando pedaços moídos de quem eu realmente sou,
do que eu realmente sinto.
Sentimentos empoeirados, sonhos enforcados,
lembranças que eu não compartilho nem comigo.
E eu nem sei como tudo isso começou,
mas sei que se tornou magicamente automático.
Assustadoramente automático.
Eu perdi o total controle das minhas escolhas.
Eu me sinto guardada e protegida por um muro de lâminas.
Quem tenta entrar se machuca, e tentar sair.....seria arriscado demais.
Eu nem me lembro mais o caminho pra casa.
Os meus dias são montados, como uma vida de mentiras.
Eu me levanto, visto o meu melhor sorriso,
levanto a minha cabeça com um gancho,
coloco meus anéis, me sufoco com um saco
E finalmente estou pranta pra sair.
Eu nem posso falhar.
Eu me sinto tão contaminada, tão doente e tão louca.
Me sinto sozinha na estrada, enquanto eu caminho, eu vejo apenas as minhas pegadas.
E eu vou caminhando sem parar e sem saber o que me espera,
o porque eu não sei.
E não há nada nesse mundo que eu gostaria de fazer ou ser.
Eu só queria poder ficar quietinha, em silêncio.....
talvez poder sorrir de verdade.
Mas a cada dia que passa eu me sinto mais impotente.
É como se cada pessoa que se aproximasse de mim, me desse uma paulada!
E no final de cada dia,
dia após dia, eu me encontro cheia de dores e lesões.
Então eu já sei que esta na hora de desmontar tudo.
Eu fico de pé enfrente a cama,
vou arrancando os sorrisos,
vou me despindo até desaparecer qualquer vestígio do que não me pertence,
do que não vem de mim.
Eu quase desapareço.
Mas a dor que pulsa dentro de mim, é o fio que me mantem viva!
Viva por ainda sentir alguma coisa.......
E é tão injusto que não seja amor!
Fabiola Fantine 00:34h / 17/12/12